Mentirinha Grande Para os Padrões de Deus.

Diac. Izaías Correia

Os lábios mentirosos são abomináveis ao Senhor; mas os que praticam a verdade são o seu deleite. Provérbios 12:22

A mentira é hoje uma das principais aliadas daqueles que não possuem a capacidade de um diálogo direto e que por isso a utilizam como a resposta mais eficaz para lidar com a divergência de opiniões, numa tentativa de evitar situações de conflito. No entanto, este comportamento impede que as pessoas exponham as suas necessidades e/ou os motivos do seu descontentamento. O resultado é, quase sempre, o aumento da insatisfação de determinado relacionamento, seja ele entre amigos, pais e filhos ou num casamento.

Aquele comportamento inerte, muitas vezes é marcado pela dificuldade em expor de forma clara e honesta uma posição, em particular quando a pessoa antecipa que há uma probabilidade do outro ser contrário à sua ação, e assim, ainda que reconheça a importância de contar a verdade, a pessoa acaba adotando uma postura onde mente acerca dos acontecimentos ou apenas os omite.

Num casamento, relação mais forte entre os humanos, pois daí se constitui uma das maiores criações de Deus para o homem, que é a família, o último comportamento a se adotar para maquiar uma situação, deveria ser a mentira, mas ela é comum. Nesse caso, as mais frequentes estão relacionadas com a gestão financeira, com o aparecimento de novos amigos, horários e lugares e nos casos mais graves, com a infidelidade. A omissão da verdade também é uma mentira e a mentira por menor que seja caracteriza uma forma traição. Seja qual for a forma como a mentira é identificada – descoberta acidental, denúncia a partir de terceiros ou partilha por parte da pessoa que mentiu – o resultado é sempre o mesmo: decepção e quebra de confiança.

É muito comum as pessoas se referirem à necessidade de mentir como algo natural, ainda mais se a tal falsidade for considerada não grave e se apoiar em justificativas. Há os que dizem que mentiu para não ferir a pessoa amada, que para evitar discussões preferiu contar uma pequena inverdade ou ainda que foi apenas uma mentirinha.

Pois digo, os padrões divinos são altos demais e apenas uma mentirinha pode ser considerada uma forma grave de traição aos olhos do Pai, que abomina toda e qualquer forma de inverdade e não é a toa que esse comportamento possui um pai perigoso, sabemos quem é o pai da mentira!

Quando mentimos, ferimo-nos a nós mesmos. A Bíblia diz em Efésios 4:25 “Pelo que deixai a mentira, e falai a verdade cada um com o seu próximo, pois somos membros uns dos outros.”

Quando mentimos não estamos seguindo o exemplo de Jesus. A Bíblia diz em Colossenses 3:9-10 “Não mintais uns aos outros, pois que já vos despistes do homem velho com os seus feitos, e vos vestistes do novo, que se renova para o pleno conhecimento, segundo a imagem daquele que o criou.”

Deus detesta a mentira. A Bíblia diz em Provérbios 12:22 “Os lábios mentirosos são abomináveis ao Senhor; mas os que praticam a verdade são o seu deleite.”

Os que mentem são excluídos da presença de Deus. A Bíblia diz em Salmos 101:7 “O que usa de fraude não habitará em minha casa; o que profere mentiras não estará firme perante os meus olhos.”

Os que são desonestos não serão permitidos entrar na cidade de Deus. A Bíblia diz em Apocalipse 22:15 “Ficarão de fora os cães, os feiticeiros, os adúlteros, os homicidas, os idólatras, e todo o que ama e pratica a mentira.”

Claudio Moreira seguia para o trabalho com aquela blusa de quase 150 reais que a esposa lhe comprou no último Natal. Na hora do almoço estava inconfortável com ela e a colocou na cadeira do restaurante, esqueceu ali. O que contar em casa pra não parecer descuidado? Que esqueceu no serviço e amanhã traria, pelo menos ela não ficaria nervosa e evitaria brigas naquele dia. E todos os dias a esposa perguntava e Claudio sempre dizia ter esquecido no serviço, agora se contasse outra história poderia ser pior, mas como esquecer algo tão cobrado todos os dias no mesmo lugar? Obviamente Natalia não acreditava, poderia estar em qualquer lugar menos no serviço, e deveria ser lugar que não poderia contar, do contrário não precisaria mentir. Claudio já estava arrependido de não ter inventado outra história melhor. O tempo apagou a história da cabeça de Claudio e Natalia mesmo não esquecendo resolveu engolir. Mas a ferida daquela mentirinha, não grave aos olhos de Claudio, não cicatrizou dentro de sua esposa e só estava esperando uma pequena razão para tornar a abrir.

Até que um dia o colega de trabalho de Marcos ficou até 2 horas da manhã na farra, também era casado. Resolveu ligar no celular do amigo pedindo para que confirmasse, caso sua esposa perguntasse algo. A história seria que Marcos esteve com carro quebrado e celular descarregado e que Claudio o ajudara. Quando o celular de Claudio tocou acordando Natalia, ele não poderia dizer a esposa que estava sendo cúmplice de uma coisa daquelas feita pelo amigo, inventou então que era seu chefe pedindo alguma coisa do serviço. “Ora, mas que chefe liga 2 horas da manhã? (nenhum, né?) Não dá pra engolir essa história”, veio logo o episódio da blusa.

Natalia já começou a andar chateada em casa, prevendo o pior pelas mentiras do marido, quando Claudio resolveu ir procurar o presente da esposa para o seu aniversário. Entrou numa loja, a vendedora lhe passou uma ou duas fragrâncias para que sentisse o perfume. Olhou cores de batom, um acidentalmente pegou em sua camisa, esfregou rapidamente. Pegou o cartão de uma loja de lingerie e colocou no bolso. Ao chegar em casa, a mulher desconfiada ao extremo, sentiu o perfume na hora, seus olhos miraram o batom e revirando os bolsos de Claudio viu o tal cartão da loja de lingerie. Lógico que Natalia foi inquirir o marido de tais coisas, mas ele soltou a pior de todas as mentiras pra não revelar a surpresa do presente: “não é nada” (nada é a pior de todas) e pra completar as desconfianças da esposa a tratou mal: “você enche a paciência”. Natalia não teve dúvidas estava sendo traída, não merecia aquilo!

No dia seguinte não pensou duas vezes, acordou cedo, deu um trato no visual, foi dar umas voltas no parque. Encontrou um rapaz, puxou assunto e acabou traindo o marido. Se o marido podia traí-la porque ela não poderia fazer o mesmo. Traiu por vingança.

Pois é, Claudio sempre foi um homem fiel a esposa, mas ao traí-la com pequenas mentiras ele enrolou-se numa grande e sem volta com consequências desastrosas. Podemos imaginar que às vezes precisamos omitir verdades como esconder a compra de um presente afim de não estragar a surpresa, mas se essa omissão estiver de braços dados com a incapacidade de contar outras verdades como o simples fato de esquecer uma blusa, então as consequências podem e serão desastrosas.

Quando estiver numa situação em que precise mentir, pense melhor, use sua criatividade de criar histórias ou de omiti-las para contar a verdade de uma maneira afetuosa e que lhe possa lhe livrar de uma situação ruim. Ou com mais alguns minutos de ponderação, tente avaliar que se está precisando mentir talvez não tenha cometido algo muito correto e que “tapar” um erro com outro faz de você alguém não muito correto aos olhos de Deus. Lembre-se, ao cometer algo censurável, poderá até se livrar com uma mentira da repreensão daquele a quem enganou e provavelmente ele jamais venha a saber a verdade, mas Deus esteve o tempo todo de olho no que fez.

Diac. Izaias Correia
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Diácono da Igreja Elim do Jd. CasaBlanca.

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