Cobiça, combustível do mundo capitalista.

Coop. Izaías Correia

Lucas 12:15 – “E disse ao povo: Acautelai-vos e guardai-vos de toda espécie de cobiça; porque a vida do homem não consiste na abundância das coisas que possui.”

É cada dia mais constante pessoas que encontram como principal alimento para a felicidade a própria ostentação. Há uma necessidade singular e muitas vezes desesperadora de se engajar na sociedade à sua volta através da aquisição de coisas que o credenciem como alguém apropriado, digno de ser aceito pela coletividade em que vive. Sim, ela a sociedade (de consumo) te diz o que vestir, o que comer, para onde e como ir e o que é pior, como pensar acerca de tais assuntos.

Ao se entregar naturalmente a esse tipo de conduta consumista, o já não tão humano de resoluções próprias, muitas vezes passa por duas fases extremamente nocivas para a sua vida e para os que o cercam. A primeira está ligada ao querer: “eu quero aquele computador de última geração”, “eu preciso do celular da marca X, com função Y (que eu jamais irei usar, mas preciso)”, “meu cabelo precisa estar igual ao da vizinha para que eu receba os mesmos elogios que ela”, “se eu não tiver um carro mais novo que o do vizinho, ele ganhará na disputa do mais feliz do bairro”. A segunda fase está ligada ao comportamento adotado após a aquisição desses artifícios de felicidade, olhando com desdém ou com diminuição aquele que ficou pra trás no consumo. O indivíduo portando tais bens sente-se num pedestal que o diferencia dos “simples mortais” e o aproxima dos “bem-sucedidos”.

Observe atentamente quantas condutas que o sujeito mencionado cometeu em busca da felicidade, trazendo para ele e para os outros, enquanto percorria esse penoso trajeto, momentos de extrema desventura: a inveja, a vaidade, a cobiça e a soberba. Quantos conseguem ser feliz almejando aquilo que o vizinho tem e sem conseguir? Ou olhando pra si mesmo como um cabide de marcas famosas e acreditando-se superior por isso? Imagino que poucos.

No curta-metragem A História das Coisas (Louis Fox – 2007) a apresentadora explica bem o processo do mundo capitalista e como ele escraviza as pessoas. O processo que entre outras coisas causa exploração no trabalho e degradação do nosso ecossistema, finda com os indivíduos consumidores limitando suas vidas a três etapas: sair para trabalhar; chegar em sua casa cansado e ir relaxar vendo TV, só que esse momento acaba deprimindo muito mais, pois a TV lhe diz como sua roupa está feia, seu carro, celular, móveis, eletrodomésticos, que faz bem pouco tempo que adquiriu, já estão ultrapassados e precisam ser substituídos, assim, o indivíduo sai às compras para se sentir moderno, engajado e mais feliz, voltando a primeira etapa que é trabalhar (fazer extras, bicos, etc…) para pagar suas contas. E sua vida vai sendo consumida apenas por essas três etapas: “trabalhar”, “ver TV” e “comprar”. Não há outro sentido além desses. O carinho familiar, o verdadeiro descansar e os verdadeiros valores que trazem a felicidade ficam negligenciados. Como encontrar tempo para Deus então? Eu diria que é muito difícil, apesar de Deus sempre ter tempo pra gente, em qualquer circunstância.

Veja, o homem inventou o carro no século XVII, a fim de lhe servir como transporte onde antes teria que caminhar longas distâncias ou usar uma condução de tração animal. A sociedade de consumo inventou o Palio e a Ferrari pra nos mostrar qual motorista deve ser mais admirado e aceito pela sociedade. O homem inventou a roupa para cobrir seu corpo protegendo-o do frio, da floresta e para cobrir-se em pudor, a atual sociedade inventou a roupa de grife para fazê-lo ser infeliz caso não possua igual.

Já que somos parte matéria, parte espírito, por que os desejos materiais falam mais alto? Estamos cada dia mais preocupados em fortalecer nossa matéria, alimentá-la, mas esquecemos de fortalecer o nosso espírito. O resultado dessa prática é que nos torna cada vez mais insensíveis ao bem estar comum, às necessidades dos nossos entes e passamos a ocupar nossa mente e coração com as próprias necessidades de consumo. O resultado na maioria das vezes é desastroso porque jamais encontraremos a felicidade.

E se nosso altruísmo falasse mais alto do que as nossas necessidades materiais? Será que encontraríamos mais facilmente sentido para a vida e com ela a tal procurada prosperidade? O escritor e poeta francês Victor Hugo um dia disse: “O espírito se enriquece com aquilo que recebe; o coração, com aquilo que dá.”.

Diac. Izaias Correia
Sobre Diac. Izaias Correia 3 Artigos
Diácono da Igreja Elim do Jd. CasaBlanca.

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